Aconteceu EXATAMENTE assim
Aconteceu EXATAMENTE assim:
Há muito muito
tempo, as tribos nômades já sabiam que o couro dos animais mortos, depois
de seco, servia para dormirem com mais conforto e para se protegerem do frio.
Mas todos os homens e mulheres andavam descalços, como era natural.
As solas do pé eram grossas, pretas e duras, como sempre haviam sido desde o início da vida na terra para todos os animais que possuem pés e solas.
Certa feita,
pelo mágico encadeamento de tudo o que acontece no universo, aconteceu que num
final de tarde uma menina pisou em um espinho grande e machucou o pé. Não conseguia
andar direito. Doía muito.
No dia seguinte,
quando todos preparavam para sair e procurar comida, decidiram que seria melhor
ela ficar no acampamento, se recuperando.
Todos se foram e
ela ficou, quietinha e sozinha, deitada no pedaço de couro que ela usava para
dormir. Ficou por ali muito tempo, olhando para o céu...
Uma certa hora, ela
sentiu sede e pensou em ir pegar água. Lembrou da distância até o córrego mais próximo
que passava por ali. Normalmente, a caminhada não seria problema, mas o pé
machucado transformava aquele chão pedregoso e cheio de gravetos em um
obstáculo imenso. Doía só de pensar.
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“Bom, é preciso beber água”. Ela se levantou e ficou de pé em cima couro macio onde ela passou boa parte da manhã. O pé machucado não doeu.
“Como seria melhor
se esse chão duro e cheio de pedras pontudas e espinhos fosse todo coberto de
couro, hein?”, ela
pensou. “Meu pé não iria doer”.
Então ela teve uma
ideia mirabolante:
Pegou dois pedaços
de couro. Ficou em cima de um e jogou o outro na frente. Então ela passava para
o pedaço da frente, pegava o de trás de onde ela saiu e jogava mais um pouco à
frente. E assim ia andando de pedaço em pedaço de couro. Pegando o de trás, jogando
para frente, avançando mais um passo...e mais um passo...e mais um passo.... e assim
ela chegou no córrego.
Ela ficou muito
feliz em ter andado uma longa distância sem pisar nenhuma vez naquele chão
pedregoso. Estava um pouco ofegante de tanto se levantar e abaixar repetidamente
no processo de manobrar os pedaços de couro, mas o esforço valeu a pena.
Enquanto bebia
água, vendo uma folha de palmeira caída, ela teve mais uma ideia. Uma ideia muito mais mirabolante ainda:
“E se...E se eu enrolasse
um pedaço de couro em cada pé? Seria mais rápido, não? Eu não precisaria ficar abaixando
e levantando.”
“Peraí....Seria
como se o MUNDO TODO fosse forrado de couro. Só onde eu piso. Só para mim. Será?”
Usando as longas folhas de palmeira, ela pegou dois pedaços de couro, amarrou um em cada pé, passando a folha em volta da canela. Finalizou com um nó. Ela se levantou e deu alguns passos. "Nada mal, ficou bem, firme. Não doí quase nada".
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Quando a tribo
chegou no meio da tarde, não encontraram ela no acampamento. Ficaram
preocupados. Será que algum predador passou por ali?
Depois de um tempo,
chega a menina para o alívio de todos. Ela foi recebida com gritos de alegria.
Ela veio andando com
passos rápidos, sorrindo e passando por entre os membros da tribo, que ficaram
maravilhados com aqueles estranhos pedaços de couro amarrados nos seus pés.
É isso mesmo que vocês estão pensando.... Nesse dia foi inventado o sapato. Todos adoraram a invenção. Essa tribo andou mais longe e mais rápido. Prosperaram e se espalharam. Muitos dos seus descendentes vivem até os dias de hoje. E seguirão vivendo futuro adentro.