O homem que procrastinou a própria morte

Essa é a história do maior procrastinador que já existiu.

Começou desde a barriga da mãe, de onde saiu por cesárea só aos 10 meses de gravidez.

Desde pequeno era muito enrolado. Demorava para fazer tudo. Saía atrasado para aula. Chegava atrasado em casa. Perdia todos os prazos e horários. Comia o almoço só na hora do jantar. E o jantar na hora do café da manhã. Sempre atrasado. Sempre para trás.

Fez faculdade com muita dificuldade e depois de muitos anos de agonia. Irritava os colegas e os professores com sua enrolação. Arrumou uma namorada (iniciativa dela) e sempre deixava a coitada esperando. Procrastinou tanto para pedir em casamento que acabou ficando sozinho.

Felizmente passou num concurso público e conseguiu um emprego estável. Procrastinava o dia todo. Para não perderem a paciência, os chefes nem passavam mais trabalho para ele. Mesmo assim, ele dava um jeito de procrastinar o fazer nada.

Depois de muitos anos, finalmente aposentou-se. Como enrolava para gastar dinheiro, acabou juntando um bom patrimônio, sem querer. Teve uma velhice tranquila: ficava a maior parte do tempo em casa, sempre evitando fazer alguma coisa.

Com o tempo, seus amigos e familiares foram morrendo. Depois se foram os sobrinhos e filhos dos amigos. Anos e mais anos se passaram e um dia o procrastinador se tornou o homem mais velho do mundo. Teve até entrevista na televisão e matéria no jornal.

O procrastinador, para surpresa de todos, ia procrastinando a própria morte.

Quando começou a ser estudado pelos médicos e cientistas, talvez como a possível solução para uma diversidade de doenças, o procrastinador percebeu que seu prazo estava acabando.

Quando se deu conta disso, fez o que todo procrastinador faz: Depois de muita enrolação, um dia acordou resolvido, tomou uma atitude e morreu de qualquer jeito mesmo.